segunda-feira, 29 de julho de 2013

Liderança não é para amadores

Líderes despreparados causam grandes transtornos às pessoas, às empresas e aos governos. O desconforto do cotidiano e o desrespeito a que indivíduos são submetidos são evidências de que algum líder não fez o que devia. Empresas que repentinamente surgem como extraordinárias e, logo em seguida, caem em desgraça; ou companhias que por longos períodos foram ícones, mas não acompanharam a evolução do mundo, também são resultado de uma liderança despreparada. Assim, igualmente, é um governo com ideias e comportamentos anacrônicos, distante da realidade e que não possui competência para lidar com crises quando elas surgem. O despreparo semeia muitas adversidades, desgraças e angústias.
Como surgem os líderes despreparados
Em geral, somos liderados por pessoas que falam bem, não por aquelas que pensam bem. Na cabeça da maioria, aquele que sabe expressar suas ideias com carisma e seduz a audiência é mais preparado que outro com linguagem complexa e que não é charmoso em seus discursos. É uma pena que pessoas prefiram quem as emocione aos que são mais preparados para liderar. 
Acionistas de empresas são ingênuos, quando escolhem executivos que emplacam bem perante uma plateia, mas são péssimos na condução de negócios e pessoas. Não é difícil alguém apresentar resultados elevados no curto prazo, principalmente quando seu bônus depende disso. Complexo é prever os momentos de contração econômica, avaliar uma nova tecnologia e perceber outros fatores que podem destruir a companhia. Isso exige reflexão, e alguém que fale muito, em geral, não dedica o tempo necessário à leitura, ao debate de ideias diferentes da sua, ao aprimoramento e à atualização de seu pensamento. O mesmo ocorre em governos. 
Geralmente, líderes despreparados seguem somente uma ideia, na esperança de que a realidade se adapte a ela. Por isso, avalie sempre com severa restrição pessoas que não leem, ou que leem somente um livro repetidamente. A complexidade do mundo exige que o indivíduo em cargo de liderança esteja sempre atualizado com o que acontece pelo mundo. Principalmente com a ciência e as novas tecnologias. E tome muito cuidado com líderes que se baseiam em ideias que não funcionaram em nenhum lugar e refutam aquelas que são comprovadamente eficazes.
Como preparar líderes
Líderes são guardiões de um propósito elevado. Portanto, a preparação de pessoas para a liderança começa com a investigação e a criação autêntica de um propósito que seja marcante, relevante e inspirador para todos que fazem parte de um grupo, quer seja uma família, empresa ou um país. Não há nenhum outro motivo para alguém liderar, a não ser cumprir um propósito.
“Eu tenho um sonho de que, um dia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.” – Martin Luther King. 
“Eu queria evitar a violência. A não violência é o primeiro artigo da minha fé. É também o último artigo do meu credo.” – Gandhi.
“Devemos respeitar e educar nossas crianças, para que o futuro das nações e do planeta seja digno.” – Ayrton Senna.
Com base em seu propósito, tudo que o líder faz é desenvolver outros líderes, para que estes também se transformem em guardiões. Para tanto, exercita as diversas competências de liderança: comunicação, delegação, follow-up, feedback, motivação, entre outras.
Bons líderes formam bons líderes, não seguidores. Quando o líder esforça-se para formar seguidores, a sua ausência causa o caos, pois as pessoas não saberão o que fazer, principalmente diante de uma adversidade. Não há, em essência, nada de errado na consulta que a presidente Dilma Rousseff e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, fizeram a Lula, diante das manifestações contra seus governos. Mas, antes de chegar a ele, deveriam ter consultado o vice-presidente da República (no caso de Dilma), os ministros e demais órgãos de governo. De que adianta ter 39 ministros se, quando um grave problema surge, a presidente consulta alguém que, mais do que oferecer sua opinião, lhe diz o que fazer? Quem está governando de fato?
Isso ocorre também em empresas, particularmente nas familiares, nas quais o principal líder é centralizador. Na sua ausência, ninguém sabe o que fazer ou tem medo de agir e ser duramente censurado por ele. Enfim, seguidores são maus líderes.
Por isso, a preocupação primordial de quem está na liderança é a formação de outros líderes. Afinal, propósitos elevados não morrem; líderes, sim!
Para aprender as habilidades mencionadas, a formação do líder deve englobar literatura específica, conhecimento científico a respeito da liderança (sim, há muitas pesquisas sobre o tema, embora poucos leiam a respeito), troca de experiências com outros líderes, principalmente com aqueles que possuem ideias diferentes, atualização constante e, para os casos de elevado potencial, coaching.
O importante é que todos tenham consciência de que são líderes, pois lideram sua própria vida. E que tenham propósitos elevados para si, pois, sem eles, nenhuma empresa, família ou país é adequado ao indivíduo. 
Que as pessoas sejam livres para escolher seus propósitos, desde que eles as conduzam à coexistência, à maturidade, ao crescimento e à construção do mundo. Que sejam capazes de estabelecer e cumprir seus compromissos. Afinal, ninguém é líder até que sua palavra seja tão concreta quanto suas ações. 
Preparar líderes e fazê-los se interessar em ocupar posições relevantes nas empresas, nos governos e no mundo promoveria oportunidades a um número incontável de pessoas que, na atualidade, são vítimas de graves infortúnios provocados por líderes totalmente despreparados, anacrônicos e de má índole.
Sílvio Celestino é sócio-fundador da Alliance Coaching e autor do livro Conversa de Elevador – Uma Fórmula de Sucesso para sua Carreira

Geração Y: como entender e reter jovens talentos

Os Millennials, também chamados de Geração Y, são os jovens nascidos entre 1980 e 2000 e que já respondem por uma grande parcela do mercado de trabalho. Inovadores, criativos, tecnológicos, individualistas e multitarefas, os Millennials são bem diferentes da Geração X, referência para muitos profissionais de Recursos Humanos, e é difícil agradá-los. Planos de carreira, estabilidade e bons planos de saúde já não são suficientes para mantê-los nas empresas.
Os gestores vêm tentando desvendar os segredos para cativar esse novo perfil profissional, mas a tarefa pode ser mais simples do que parece. Nascidos em épocas de grande inovação tecnológica e prosperidade econômica, os Millennials foram criados por pais superprotetores que não quiseram repetir o desleixo recebido pelos Baby Boomers, extremamente workaholics, e inflaram a autoestima de seus filhos. Com os dias repletos de atividades extracurriculares, as crianças se tornaram multidisciplinares, super capacitados, tecnológicos, ambiciosos, imediatistas e competitivos.
Por essas razões, grande parte destes jovens tem dificuldade de se manter em um emprego e respeitar a hierarquia imposta nas empresas. Um Millennial não está disposto a fechar um acordo de longo prazo para pequenos ganhos, procura crescimento rápido. A solução então é conquistar a confiança deste colaborador e fazê-lo acreditar na cultura da empresa, construindo algo que tenha a ver com a visão dessa nova geração e oferecer o que ele deseja.
Esse jovem não tem em si um forte sentimento de coletividade e tende a priorizar o crescimento pessoal acima das necessidades organizacionais e por isso que é importante criar o sentimento de pertencimento dentro da empresa, fazer com que se sinta parte indispensável de um time, que entenda o seu papel no resultado do trabalho em grupo.
Esses profissionais também não podem se sentir estagnados. Acostumados com as inovações tecnológicas e com a velocidade da internet, eles precisam sentir que estão em constante crescimento e que algo novo sempre pode acontecer.
Constantemente conectados, esses profissionais não admitem problemas com internet, proibição de redes sociais e equipamentos ultrapassados no mercado de trabalho. O investimento em tecnologia é prioridade para eles.
Benefícios e reconhecimento
Ao contrário das gerações anteriores, os Millennials não estão muito preocupados com estabilidade de carreira e benefícios antes valorizados pelos antigos funcionários como ótimos planos de saúde, eles querem ir além, para eles alternativas como flexibilidade de horários e de espaço podem ser benefícios mais importantes. O trânsito é um inimigo real no ambiente corporativo e por serem ansiosos e prezarem qualidade de vida, eles odeiam perder tempo parados. Poder sair de casa fora do horário de rush ou poder trabalhar de casa (home office) são soluções que agradam aos mais jovens.
Um plano de benefícios que esteja de acordo com a visão desses trabalhadores ajuda a mantê-los felizes e engajados. Descontos em academias, SPA’s, restaurantes naturais e farmácias são vistos como um plus desejável por estes profissionais.
Para agradá-los, os gestores também devem estar dispostos a reconhecer seus esforços. Pesquisas afirmam que o reconhecimento está entre os cinco fatores mais importantes para os colaboradores e que, quando reconhecidos, 78% dos profissionais dizem se esforçar ainda mais.
Lidar profissionalmente com o jovem da Geração Y não é algo tão simples, mas se os canais de comunicação estiverem abertos e o diálogo for incentivado a relação fica muito mais fácil.
Thiago Gonçalves é Country Manager da GoIntegro.

As lições de liderança do Papa Francisco

O que o novo Papa Francisco tem a nos ensinar sobre liderança? Muito! A escolha de um pontífice da escola franciscana demonstra que a igreja católica sinalizou que precisa de mudanças. E mudanças urgentes!
O Papa Francisco é o ponto de mutação de uma igreja desgastada por escândalos sexuais, improbidade administrativa, perda de fieis (principalmente no Brasil), ostentação enquanto parte do mundo sofre com a miséria e outras coisas mais.
Ultimamente tivemos o Papa pop (carismático), o Papa centralizador e agora chegamos à era do Papa do povo (ao menos é o que parece). Simpático, acessível, modesto, humilde, conciliador e algumas outras características que estamos descobrindo a medida que vai tomando ações tão esperadas há anos pelos católicos do mundo.
O fato é que o Papa Francisco tem habilidades necessárias a um grande líder. Seu sorriso largo e franco é importante para atrair a simpatia de seus seguidores. Em uma equipe o verdadeiro líder é aquele que consegue manter o bom humor e a simpatia mesmo em situações mais críticas. Isso não quer dizer que é preciso parecer bobo e rir de tudo e à toa. Aquele que mantém um semblante carrancudo, mais parecendo estar de mal com a vida, afasta as pessoas. Nem adianta dizer que está aberto ao diálogo porque ninguém irá se sentir a vontade com uma pessoa sisuda e de “cara fechada”. Certamente que não se muda isso do dia para a noite, mas é fundamental observar a si próprio para provocar as mudanças desejadas.
Outra característica importante de liderança que o Papa Francisco demonstra é a humildade. Alguns exemplos: ele mudou o trono dourado por uma cadeira de madeira. Aliás, algo mais apropriado para o discípulo de um carpinteiro. Aproxima-se dos fieis sem receio, beijando doentes e pobres sem medo ou nojo. Não aceitou a estola vermelha bordada a ouro ou a capa vermelha, utiliza suas vestes mais simples e brancas (símbolo internacional da paz). Uma grande prova de humildade é usar os mesmos sapatos pretos velhos e dispensar o luxuoso carro papal, utilizando um modelo mais simples. Também rejeitou o anel de ouro maciço, utilizando um que é apenas banhado a ouro, de valor menor, simbolizando um gesto de desapego às riquezas. Por fim, usa sob a batina as mesmas calças pretas, para lembrar-se de que é apenas um sacerdote.
Quantas lições podemos retirar destes atos de humildade e simplicidade? Um líder que se desapega do restaurante gerencial para vez em quando almoçar com sua equipe pode ser um exemplo. Outro é o gestor que leva um funcionário, devidamente preparado, a uma reunião para conduzir a apresentação de um projeto importante da área. O gerente que elogia um funcionário em público ou para sua chefia devido a um desempenho ou resultado superior. Na verdade toda forma de reconhecimento justo é uma maneira de demonstrar humildade. Todos querem ser reconhecidos por seus méritos, por suas realizações. Quando o líder faz isso acaba criando um sentimento de justiça e reforça o comprometimento da equipe.
O Papa Francisco tem tudo para se tornar um líder religioso e mundial positivamente inesquecível. Sua popularidade é reforçada pelas atitudes simples e na ênfase nas relações humanas. Ao se aproximar das pessoas e mostrar-se acessível conquista seus discípulos. Com o gestor em uma organização a estratégia não pode ser diferente. Aquele que se aproxima de seus funcionários, sem sufocar, cria confiança. Aquele que ouve seus subordinados, sem retaliação, cria respeito. Aquele que se coloca disponível para a equipe, com simpatia e humildade, cria relacionamentos sólidos gerando comprometimento e resultados.
Vamos aguardar quais novas lições o Papa Francisco ainda poderá nos presentear. Certamente teremos muito o que aprender com suas atitudes, filosofia e estilo de vida. Agora realmente podemos afirmar:“Habemus Papam!”.